Sai nos dias de maior fluxo

segunda-feira, junho 18, 2007

O peso de se ser uma divindade ao serviço do público

Os deuses existem!
Não apenas um, nem dois, mas todos os que os diferentes credos defendem existir. É um facto inatacável, como todas as verdades que profiro aqui neste periódico, de grande tiragem e qualidade comprovada.
Buda, Allah, Deus (o dos católicos, o dos Judeus e os de todos os outros que tiveram falta de imaginação no nome), Shiva (e restantes deuses hindu) são apenas alguns dos intervenientes. Mas qualquer teólogo, com um pouco de investigação e paciência, os enumeraria a todos para vosso deleite. Felizmente nem sou um, nem tenho tal paciência ou motivação.
Mas para além de todos eles, de uma forma ou de outra serem castradores (já ouviram falar de alguma religião sem imposições? Atenção que a anarquia não é catalogada como religião) e exigirem dispêndios económicos aos seus fiéis, a verdade é que têm um outro denominador comum. Todos são funcionários públicos. O seu objectivo não é estarem à disposição daqueles que neles crêem e deles necessitam? Que melhor definição encontram vocês para o funcionarismo público?
E como tal têm toda uma panóplia de características associadas a esse mesmo título.
Nunca se questionaram, “como é que Deus permitiu que uma coisa daquelas acontecesse?” A resposta é simples: aconteceu das 09:00 às 17:00 do país em questão?; a maioria dos fiéis desse país pertence a que credo (não podemos ignorar a questão da jurisdição, e a verdade é que, como em todos os departamentos públicos, entre deuses existe muita burocracia, e algum boicote inter-religiões que nem sempre permite que se evitem catástrofes naturais em tempo útil)?; aconteceu durante um feriado (mesmo sendo este em honra ao deus da tutela)?; aconteceu num país mono ou politeísta (como todas as democracias, também os deuses de regimes politeístas têm conselhos divinos que se prolongam por horas ou mesmo dias, sem que dali saia alguma decisão)?; aconteceu num dia de greve pelos direitos divinos, marcado para uma quinta-feira e antes de um feriado religioso à sexta-feira?
Se falarmos em preces então quase que não é necessário explicar. Esta foi feita de acordo com os procedimentos definidos para o efeito? A posição do corpo estava dentro dos padrões correctos (joelhos, mãos, inclinação da cabeça com o número de graus exigidos)? A entoação da voz seria a mais adequada, dentro dos limites do timbre ideal? Cumpriu os pré-requisitos necessários (válidos para certas religiões, como a católica com a confissão, ou o dízimo como a IURD ou a Maná)?
De repente não se fez luz na sua mente? Não ficou tudo claro? Os anos de aparente inactividade divina não passaram afinal de alguma incompreensão da nossa parte sobre o que é a terrível dificuldade que advém de se ser uma divindade pública, com todos os seus direitos auto adquiridos a serem constantemente ameaçados pelos renovadores de certas igrejas.
Olhai agora com outros olhos para os vossos deuses, para os quais peço a vossa maior compreensão. Afinal, não passam de divindades, com todo o peso que o cargo acarreta.



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